@ziha Na verdade essa é uma interpretação equivocada dos dados. Só faz referência ao local onde a vítima sofre o atentado, mas não diz absolutamente nada sobre quem agride. Por exemplo, quando o traficante adentra o domicílio de um usuário (homem) devedor para dar fim a sua vida, então esse evento será contabilizado como um homicídio de um homem em local doméstico, mas nada tem a ver com as relações de poder que permeiam as famílias brasileiras.
@saraproton Data venia, feminicídio: Art. 121CP. Matar alguem: (...) § 2º Se o homicídio é cometido (...) VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.
Desses 57.874 homens quantos morreram por razões da condição de sexo masculino? Dessas 4.645 mulheres, quantas morreram por razões da condição de sexo feminino? Não se trata de terrorismo estatal, mas de dar proteção especial a parcela da população subjugada simplesmente por ter perdido um cara ou coroa na concepção, sem prejuízo das demais vítimas (aliás, cuja grande parte das violações seria aprovada pelo "cidadão de bem", já que são usuários de drogas ou traficantes).
@matheusgaeski Li e quase concordei. Mas então lembrei que democracia não se trata simplesmente de vontade da maioria. Um plebiscito hoje no Brasil acaba com 100 anos de direito internacional.
De qualquer forma, ainda que fôssemos uma Noruega capaz de respeitar essas mudanças, a ideia de uma Constituição elaborada por "notáveis" tem um ponto essencial. Quem os escolhem? Se a questão é saber jurídico, não pode ser o povo, porque isso lhe falta (e resulta no mesmo "problema" de uma Assembleia Constituinte). Mas se não for o povo, então é uma elite não representativa. Antidemocrático na origem.
Vamos supor que Bolsonaro seja eleito e tome para si a responsabilidade de apontar os "notáveis". Ou então Haddad. Teriam legitimidade para tal, com tamanha rejeição da população ao candidato/partido? A oposição teria voz? Seria possível um consenso? Sem essa possibilidade pouco importa que eventual plebiscito seja aprovado com 51%, 60%, 70%... é antidemocrático.